Archive for Julho 2013

Homilia do 10º Domingo depois de Pentecostes

Evangelho segundo São XVIII, 9-14: 9. Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros: 10. Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. 11. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. 12. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. 13. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! 14. Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.
Para escutar:

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"Momento Delicado", por Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’ana, FBMV.

  
“Momento Delicado”, por Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’ana, FBMV.


Desde o Capítulo de julho de 2012 um princípio contraditório se introduziu no seio da FSSPX: pode-se conservar e transmitir a fé na sua integridade, ao mesmo tempo se submetendo à Roma conciliar. A palavra mágica que fascina e turva a realidade da armadilha é “garantias”: Roma dá garantias, a Tradição Católica se mantêm e se desenvolve, Roma continua como ela é[1].
Mas se é assim, para que esse tão falado e ocultado “preâmbulo doutrinal”? Se a Roma conciliar continua como ela é, então cada um com a sua doutrina, as garantias resolvem tudo. E, no entanto, nós sabemos a que excessos se chegou com a declaração doutrinal de abril de 2012. A “compreensão comum da fé”[2], que só se resolvia pela troca constante de óculos, é uma pedra de escândalo que fez ruir  o edifício de confiabilidade das autoridades da FSSPX.
Além disso, termos como “acordo”, “reconhecimento” ou “normalização canônica” não nos devem fazer esquecer de que se trata de uma submissão à autoridade. Não são duas potências que realizam um acordo diplomático onde cada uma das potências assume direitos e deveres conservando integralmente sua soberania. Trata-se aqui de uma congregação religiosa frente ao poder supremo da Igreja. Trata-se do Vigário de Jesus Cristo diante de seus súditos. São os súditos que julgarão do cumprimento ou não das garantias?[3]
Esta novidade é uma bomba-relógio que desarmará a pequena cristandade resistente, tornando-a vulnerável a outras bombas bem mais terríveis, as do Vaticano II. Por causa de sua importância estratégica, ela é guardada com grande zelo por todos aqueles que desejam a desastrosa submissão a um pontífice que está a léguas de ser plenamente católico[4]. As circunstâncias adversas podem forçá-los a tudo, contanto que não se renuncie à conquista sutilmente subversiva do Capítulo de julho.
A recente declaração de 27 de junho último é um exemplo representativo desses recuos estratégicos que podem predominar em certas circunstâncias[5]. O texto contêm muitas considerações pertinentes a respeito do Vaticano II e da crise na Igreja, consequência deste, retomando uma linguagem da qual estávamos um tanto desabituados, em se tratando de pronunciamentos oficiais da FSSPX. Mas eis que, chegando ao ponto 11, lemos isto:
“Este amor pela Igreja explica a regra que Dom Lefebvre sempre observou: seguir a Providência em todo momento, sem jamais pretender antecipá-la. Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem”.
Sim, como bem observou D. Williamson: “Tenha cuidado. Como diziam os latinos, “o veneno está na cauda”.” A sutilidade foi intensificada, junto com uma preparação doutrinária bem cuidada[6], mas continuamos no atoleiro. Ao invés da simplicidade divina da conversão, base necessária para a confiança na autoridade, e que conduz naturalmente à obediência, temos a alternativa de “um começo de restabelecimento da ordem”, por meio de um reconhecimento explícito do direito de professar integralmente a fé e rechaçar os erros contrários, junto com o direito e o dever de se opor publicamente aos erros e a seus fautores, seja quem for.
Muitas palavras que transmitem uma segurança que só é aparente. Tudo depende do termo “reconhecimento”. Na verdade, têm-se a jurisdição de suplência, em virtude do estado de necessidade que acabrunha a Santa Igreja de Deus desde que suas autoridades se engolfaram nos erros modernistas. Se se troca esta pelo reconhecimento da Roma conciliar, supõe-se o desaparecimento do motivo que nos dava a mesma. Mas o estado de necessidade só pode desaparecer, no mínimo, pela conversão explícita do Sumo Pontífice à integralidade do catolicismo, e neste caso as coisas se passariam facilmente, em toda confiança, e seriam os modernistas que pediriam garantias. E este papa católico, é claro, não as concederia.
Mas eles querem garantias de um papa modernista, servo da Roma conciliar, querem garantias de se opor publicamente aos erros e a seus autores, seja quem for. Então querem que o papa lhes conceda o direito de se opor publicamente aos erros do próprio papa?  Seria a normalização canônica mais ridícula da história da Igreja.
O mais triste é que todas essas tergiversações, toda essa ambiguidade compulsiva, tudo isso concorre para prolongar a sedação de muitos descontentes que, há mais de um ano, parecem tentar encontrar algum consolo repetindo a sentença apaziguadora: “Não houve acordo”. Mas como ela não é suficiente, uma declaração como esta poderia fornecer como um complemento necessário: “Finalmente, nada mudou, tudo está como antes”.  E então poderia advir um coma profundo.
É nesse momento que devemos recordar as palavras do nosso primeiro papa: “Sêde sóbrios e vigiai (…) resisti-lhe, firmes na fé”, a fé viva e inabalável que afina o discernimento e inspira a ação.
Discernir: primeiro veio o reconhecimento da Missa de sempre. E, ao mesmo tempo, sua limitação e rebaixamento. Depois, o levantamento das excomunhões, que não foi a retirada do decreto, “ato de misericórdia” das autoridades romanas, e os que queriam justiça acabaram agradecendo e cantando um Te Deum. Não seria agora o caso de uma FSSPX reconhecida e limitada a uma reserva “sui generis”, à espera de uma solução “clarificadora”? Em todos estes degraus de descida se discerne a marca da contradição, a contradição que está no código genético de todo liberal.
E uma vez percebido o logro, pelo amor de Deus, que não se espere chegar até o fundo do poço. Numerosa ou não, a Resistência tem as bênçãos do Deus da Verdade. Os que estão organizados, estimulem os que querem se organizar e ajudem os que estão se organizando, e todos, particularmente os que são sacerdotes, busquem na confissão da Fé a graça de agir exatamente conforme os desígnios da Providência.

Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’ana, FBMV.


[1] Mons. De Galarreta, o antigo resistente, entrevistado na Polônia (abril de 2013), declarou: “Claro que o melhor seria que Roma renunciasse aos erros conciliares, regressasse à Tradição e unicamente depois, sobre esta base, a Fraternidade obtivesse automaticamente um status canônico na Igreja. Apesar disto, a realidade nos leva a não fazer depender um eventual acordo de uma grande autocrítica de Roma, mas de uma atribuição de garantias reais pelas quais Roma, tal como ela é, permita à Fraternidade permanecer como ela é(…)”
[2] Pe. Pfluger, em entrevista a Kirkliche Umschau.
[3] O próprio  Capítulo de julho responde que não, ao estabelecer entre as condições apenas “desejáveis”, a de possuir tribunais, e só de 1ª instância. Uma vez que se quer o acordo, é inevitável…
[4] O que vai diretamente de encontro à exortação de D. Marcel Lefebvre aos 4 bispos sagrados em 1988.
[5] Em um artigo do ano passado, dizíamos: “Esta (as autoridades da FSSPX), segundo toda a probabilidade, saberá tirar proveito dos resultados do Capítulo, com movimentos calculados e alternados de recuo tático para retomar credibilidade, seguidos de uma nova ofensiva formadora de opinião”.
[6] Onde certamente participaram as cabeças que ainda pensam bem na Fraternidade, como Mons. Tissier e o pe. de Cacqueray.  Às vezes a boa fé da boa gente faz um grande mal…
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Homilia do 9º Domingo depois de Pentecostes

Carta de São Paulo aos Coríntios I 10, 6-13:  6. Estas coisas aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles as cobiçaram. 7. Nem vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou-se para comer e para beber, e depois levantou-se para se divertir. 8. Nem nos entreguemos à impureza como alguns deles se entregaram, e morreram num só dia vinte e três mil. 9. Nem tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram mordidos pelas serpentes. 10. Nem murmureis, como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador. 11. Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos. 12. Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia. 13. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.
Evangelho segundo São Lucas XIX, 41-47: 41. Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: 42. Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!… Mas não, isso está oculto aos teus olhos. 43. Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; 44. destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada. 45. Em seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores. 46. Disse ele: Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões. 47. Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida.

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“Tres corrientes”, por Dom Tomás de Aquino OSB (Mosteiro da Santa Cruz).

domingo, 21 de julho de 2013

“TRES CORRIENTES”, POR DOM TOMÁS DE AQUINO.-

TRES CORRIENTES
por Dom Tomas de Aquino
Tres corrientes están surgiendo en la Tradición desde hace ya algún tiempo.
La primera, fiel a las directivas de Monseñor Lefebvre, continúa diciendo: “No al acuerdo práctico sin la conversión de Roma”. Es la voz del buen sentido de la fe. Esta corriente es maltratada actualmente porque habla y habla, ya que San Pablo nos dijo: “El corazón cree por la justicia, pero la boca confiesa para la salvación” (Rom. 10,11).
La segunda, busca una supuesta « necesaria reconciliación” con la iglesia conciliar. Este es un enfoque contrario al buen sentido, contrario a las directivas de Monseñor Lefebvre así como a las resoluciones del Capítulo general del 2006 que repitió: “No al acuerdo práctico sin la conversión de Roma”
Esta segunda corriente reposa no en la doctrina sino en la diplomacia y sobre el abuso de autoridad. Diplomacia respecto a Roma, abuso de autoridad respecto a los buenos sacerdotes, amenazados y acosados, respecto a los fieles también, privados de sacramentos.
Una tercera corriente se ubica entre las dos primeras. Esta corriente piensa más como la primera. No cree en esa “necesaria reconciliación”, pero espera y guarda silencio. Esta actitud refleja, en numerosos sacerdotes y fieles, una angustia ante lo que puede sucederles. Solamente Dios conoce los dramas en el seno de las familias, de las comunidades y entre los sacerdotes. Fieles y sacerdotes saben muy bien que si empiezan a hablar en contra de la política de Menzingen, las consecuencias serán brutales, como lo hemos visto ya en México y otras partes: fieles privados de la Santa Comunión, de la absolución, sacerdotes cambiados, expulsados o reducidos a un silencio forzado…
Esta tercera actitud tiende sin embargo a desaparecer, las personas encuentran su lugar ya sea con los primeros, sea con los segundos. Esto porque este comportamiento es inestable por definición, aunque, al menos para los fieles, puede durar mucho tiempo. En Japón las familias católicas guardaron el silencio durante más de dos siglos respecto a su fe. Ciertos fieles guardarán tal vez el silencio por un buen tiempo si se ven amenazados de ser privados de los sacramentos, de las escuelas, etc.
Pero en los sacerdotes y sobretodo en los obispos, esta actitud tiende a desaparecer muy rápido por la elección, sea de la primera posición, sea de la segunda. Monseñor Tissier de Mallerais estaba en la primera corriente cuando escribió con sus cofrades en el episcopado la carta del 7 de abril de 2012 al Consejo general. Su andar era privado pero su pensamiento era conocido. Dio enseguida una entrevista a Rivarol y no escondió su forma de pensar durante las conversaciones con varios sacerdotes. A pesar de esto, su posición seguía siendo discreta.
Pero poco a poco, Monseñor Tissier se fue poniendo en la tercera corriente, la del silencio inestable y lleno de peligros en la hora actual. No solamente Monseñor Tissier guardó un silencio cada vez más prolongado, sino que aconsejó a otros que se callaran. “Cuando los pastores se callan, los perros ladran” le respondió el heroico Padre Chazal.
El lobo está en el aprisco. Hay que gritar. Pero Monseñor Tissier guardó silencio. ¿Por qué? Porque él piensa que la estrategia de Monseñor Fellay tuvo éxito y que finalmente no era tan mala. Pero dejémosle a él la palabra. Se trata de una carta privada del 11 de marzo de 2013. Él es libre de rectificar su forma de pensar, pero he aquí lo que escribió al autor de estas líneas: “La política de la FSSPX hacia Roma, hasta el Capítulo general del 2006 comprendido éste, fue esperar una conversión de Roma antes de buscar una estructura canónica. Pero ésta política ha sido cambiada por Monseñor Fellay en 2011-2012 después de la oposición total revelada por nuestras discusiones con Roma. No se puede esperar ninguna conversión total de Roma.  Entonces Monseñor Fellay intentó poner a prueba a Roma sobre nuestra crítica al Concilio. Que Roma acepte al menos que critiquemos el Concilio. Se podía esperar que Roma cedería. Pero el 13 de junio de 2012, Roma (por medio del cardenal Levada) mantuvo la exigencia de la aceptación del concilio como siendo “magisterial” (1). Y Monseñor Fellay no firmó nada rehusándose a aceptar eso. Eso es todo. Monseñor Fellay no firmó nada y no pasó nada y nosotros no fuimos “excomulgados” como nos amenazó el cardenal Levada. Y Benedicto XVI se retiró viendo que él había hecho “todo lo que pudo” para llevarnos hacia el concilio, y no funcionó. Así está las cosas”.
« Entonces, estimado Padre, no le haga la guerra a Monseñor Fellay porque finalmente, en definitiva, la estrategia tuvo éxito: sin romper nada, sin despedazar nada, él mantiene una relación con los Romanos que podrá volver a empezar con el nuevo Papa, sobre una base siempre doctrinal”.

       « La política siempre doctrinal »

      Como podemos ver, Monseñor Tissier se acerca cada vez más a Monseñor Fellay. Se puede pensar que lo hace para tratar de salvar la Fraternidad, para conservarla unida y ponerla de nuevo sobre el carril sin romperla. Es un deseo loable pero sus efectos son desastrosos. Es demasiado conceder a Monseñor Fellay el decir que “finalmente, en definitiva, la estrategia tuvo éxito”. Si el acuerdo no fue firmado el pasado 13 de junio, es por una maniobra de último minuto del Papa y de Monseñor Fellay que no quisieron ocasionar una división de la Fraternidad ni nuevas consagraciones de obispos tradicionales por Monseñor Tissier. No es la recompensa de una política muy condenable por parte de Monseñor Fellay.
Monseñor Fellay cambió las decisiones del capítulo general de 2006 e impulsó un acuerdo con Roma con un lenguaje más que ambiguo. Él afirmó enormidades que nosotros jamás escuchamos de boca de Monseñor Lefebvre, enormidades que solamente los miembros de Ecclesia Dei son capaces de decir… Y todo eso incluso antes de que un acuerdo fuera firmado. ¿Qué hará él si firma en un futuro?
Si Monseñor Fellay tiene una estrategia exitosa, es la de haber amordazado toda la reacción interna de la Fraternidad. Incluso Monseñor Tissier, tan dotado y tan firme para exponer los errores, las herejías de los Pontífices actuales, se vuelve mudo ante el viraje de 180 grados de la Fraternidad respecto a la decisión del Capítulo general de 2006. Se calla igualmente ante las declaraciones aberrantes de Monseñor Fellay.
Pero, dirán algunos, la declaración del 27 de junio, ¿no pone un punto final a este asunto? ¿Qué espera usted para reconocer que la Fraternidad no ha cambiado nada de su doctrina y de su orientación?
Es verdad que la presencia de Monseñor Tissier junto a Monseñor Fellay puede hacer pensar a primera vista que la base doctrinal que falta a Monseñor Fellay será compensada y que la aceptación de la promulgación legítima de la Nueva Misa, la aceptación del Nuevo Código, la validez de todos los sacramentos de acuerdo al nuevo ritual (incluso la confirmación), etc., ya no estarán en la agenda. Sin embargo, en realidad podemos temer lo contrario, pues la declaración del pasado 27 de junio mantuvo la imprecisión sobre la nueva misa: en ninguna parte se precisó que ésta no fue legítimamente promulgada. En cuanto a los otros puntos de la declaración, ellos exigen un estudio muy atento a causa de las afirmaciones contradictorias de Monseñor Fellay.
Nosotros esperaremos, para creer en el regreso de la Fraternidad a las orientaciones de Monseñor Lefebvre, a que la puerta de los acuerdos sin conversión previa de Roma esté cerrada. Pues si la estrategia de Monseñor Fellay fuera buena, como dice Monseñor Tissier, la misma estrategia podría comenzar de nuevo. No, la puerta no ha sido cerrada. Monseñor Tissier, aprobando así la estrategia de Monseñor Fellay (es decir, “que Roma acepte al menos que critiquemos el concilio”), afirma que él ya no está contra un acuerdo práctico sin acuerdo doctrinal. La declaración del 27 de junio lo dice explícitamente en su artículo 11 donde ella reclama el poder criticar los errores. La conducta de Menzingen respecto a los sacerdotes, a los fieles y a las comunidades amigas, confirma la obstinación del Consejo general de la Fraternidad en esta nueva orientación.
Algunos dicen que Menzingen reconoció haberse equivocado. Eso no es verdad, al contrario. Monseñor Fellay dijo explícitamente que él no reconocía haber cometido ningún error sino el de no haberse dado cuenta de las intenciones del Papa (cf. anexo n°4 de la carta circular a los sacerdotes de la Fraternidad del 31 de octubre de 2012 publicada por truetrad.)
Si Monseñor Fellay lamentara su actitud, todos aquellos que han sido castigados y perseguidos en la FSSPX en estos últimos tiempos por causa de esta crisis, serían felicitados y reintegrados en la Fraternidad.
Pero esto no es todo. Está el nuevo lenguaje del Superior general, que afirma que la libertad religiosa es muy, muy limitada en los textos del Vaticano II; está su declaración sobre el concilio, cuyas doctrinas no son, dijo, lo que pensábamos (cf. entrevista a Monseñor Fellay por CNS el 11 de mayo de 2012); está la respuesta del Consejo general a los tres obispos el 14 de abril de 2012, hay que conservar todo esto en la memoria.
Nosotros esperamos una conducta no ambigua por parte de Menzingen, porque en las cosas de la fe, no hay medias tintas. En las cosas de la fe, no hay mas que dos campos: el de Nuestro Señor y el de sus enemigos. Si Enrique V no quiso una corona porque debía transigir con la Revolución, mucho más nosotros no debemos transigir con los enemigos del Reinado universal de Nuestro Señor.
Se nos dirá que en las cosas humanas, hay que transigir o no veremos jamás el final de esta crisis. A eso respondemos con Monseñor Freppel, que Dios no nos pide la victoria, sino el combate. Soportar las debilidades humanas, sí. Todos nosotros debemos hacerlo. Pero aceptar compromisos doctrinales, no podemos hacerlo. Non possumus.
Que Nuestra  Señora venga en nuestra ayuda. Ella posee el más alto grado de horror al pecado y al error. Es este horror lo que pedimos, este horror que es propio de la Inmaculada. Al final su Corazón Inmaculado triunfará y nosotros con Él; es nuestra firme esperanza. Lo esperamos, no por nuestros méritos porque sabemos que no lo merecemos, sino por su bondad maternal. Como dijo Santa Teresita del Niño Jesús: “Pedid, pedid, y Él se los dará, no porque lo merezcáis, sino porque Él es bueno”. Es de la bondad del buen Dios y de Aquella que nos ha dado por Madre que nos atrevemos esperar la victoria final ya prometida. “Al final mi Corazón Inmaculado triunfará”.
Dom Tomás de Aquino
Nota de Monseñor Tissier de Mallerais:
(1)   Y Benedicto XVI por su carta a Monseñor Fellay del 30 de junio de 2012.

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Homilia do 8º Domingo depois de Pentecostes

Evangelho segundo São Lucas XVI, 1-9:
1. Jesus disse também a seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens. 2. Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens. 3. O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha. 4. Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego. 5. Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão? 6. Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta. 7. Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta. 8. E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes. 9. Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.
Para escutar:

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Homilia do 7º Domingo depois de Pentecostes

Evangelho segundo São Mateus VII, 15-21:
15. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. 16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos? 17. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. 18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. 19. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. 20. Pelos seus frutos os conhecereis. 21. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.

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Análise de um artigo de Olavo de Carvalho.

Análise do artigo de Olavo de Carvalho publicado na revista Verbum, números 1 e 2, julho e novembro de 2016,


1.      O que o autor diz.

    O autor é bastante descritivo, e por vêzes intercala o pensamento de outros autores com o seu, de modo que nem sempre é fácil discernir se está de acordo ou não. Sendo assim, procuraremos ser descritivos e literais nessa primeira parte para que, ao procedermos à crítica na segunda parte, só atribuirmos a ele o que realmente exprimiu como seu.
     O professor Olavo de Carvalho começa se alinhando com a distinção entre os dois universalismos, considerados high e low brow:

     “O esclarecimento é este: Não se deve confundir o “universalismo” paródico da Nova Era e da URI com o universalismo high brow da escola dita ‘tradicionalista” ou “perenialista” inspirada em René Guénon, Frithjof Schuon, Ananda K. Coomaraswamy e seus continuadores.
     É verdade. São muito diferentes.” (Parte 1, pág. 33)

     Note-se que o próprio autor insiste que a diferença é profunda, diferença entre um “pastiche de sincretismos” e, de outro lado “(...) construções intelectuais sofisticadas, uma compreensão profunda e organizada dos símbolos religiosos e esotéricos de todas as tradições, um domínio cabal das fontes reveladas [?!] e uma técnica comparatista que se aproxima, em precisão, quase que de uma ciência exata” (parte 1, pág.34).
     E quando examinamos os efeitos do conhecimento desta diferença a nível do sujeito individual, vemos que eles ultrapassam muito o de uma mera satisfação intelectual pelo conhecimento natural de Deus:

     “(...) a passagem ao tradicionalismo de Guénon e Schuon é um upgrade intelectual formidável (...)” (parte 1, pág. 35). E segue citando um biógrafo de Guénon, sem desaprová-lo:

     “Chegará o momento em que cada um, sozinho, privado de todo contato material que possa ajudá-lo em sua resistência interior, terá de encontrar em si mesmo, e só nele mesmo, o meio de aderir firmemente, pelo centro de sua existência, ao Senhor de toda Verdade” (Idem)

     E continua o autor, indicando o aumento de autoridade desse universalismo, resultante de sua ligação com revelações imemoriais remontantes à Tradição Primordial. Tudo isto leva à constatação da “convergência essencial das doutrinas e símbolos das grandes tradições religiosas e espirituais (...)” (idem).

     Prossegue estabelecendo 3 pontos de diferenciação entre o falso universalismo e os ensinamentos perenialistas:

1.      Integridade das tradições: no verdadeiro universalismo ensinado pelos perenialistas, que se opõe a qualquer sincretismo, embora apontem para uma mesma Realidade suprema.
2.       Seleção de materiais: onde se separa o verdadeiro do contrafeito, sendo a ligação com a fonte primordial o critério. Falta este critério no falso universalismo.
3.      O mais importante: a transcendência, e não imanência desta unidade. A convergência se faz pelo que o autor chama “concepções metafísicas”. Ele concorda com isto, mas utiliza o condicional para falar da relação entre os exoterismos e o esoterismo primordial que une.
    
     E esta linguagem menos clara nos remete ao último parágrafo da parte I: “Mas é aí que começam os problemas”.
     A parte II então aborda a questão problemática da diferenciação entre esoterismo e exoterismo: é a diferenciação vertical dentro de cada tradição (as quais exprimem a diferenciação horizontal). Questão importante para a tese da unidade transcendental das religiões. O “topo” tem que ser comum, superior e ponto de encontro das tradições, mas como estas não podem fundir-se (como no ocultismo vulgar sincretista), essa unidade deve ultrapassar o nível inferior e temporal, historicamente condicionado.
     Porém, explicitamente, somente o Islamismo apresenta tal distinção. E o autor passa em revista outras tradições, a hinduísta, a cristã e a judaica, e defende que a aplicação dessa distinção só pode ser sugestiva ou analógica. “Com isso o edifício inteiro do “perenialismo” começa a balançar um pouco” (Parte 1, pág. 38).
     Merecem menção as dificuldades de aplicação apresentadas com relação ao cristianismo: a ausência de organizações esotéricas nos primeiros séculos da Igreja, a oposição taxativa do Fundador, o caráter iniciático dos sacramentos. E sobre esta última dificuldade, considerada a mais importante, o autor faz uma declaração que deve reter nossa atenção: “Todos os cristãos que receberam os sacramentos são, portanto, iniciados, no sentido estrito que o perenialismo dá a essa palavra.” (parte 1, pág. 39).
     O autor questiona o porque dessa insistência de Guénon em fazer esta problemática aplicação, “Mas antes mesmo de esclarecer esse ponto é preciso levantar uma outra questão” (parte 1, pág. 41)
     Trata-se da questão do que é a Metafísica, cujos princípios são o ponto, inquestionável para o autor, de convergência das “tradições materialmente diferentes”.
     O termo é usado como nos autores mais citados do artigo, Guénon e Schuon:

     “Que é uma metafísica? É a estrutura da realidade universal, que desce desde o Primeiro Princípio infinito e eterno até os seus inúmeros reflexos no mundo manifestado, através de uma série de níveis ou planos de existência” (parte 1, pág. 41)

     Aí encontramos unidade nas tradições, o que nos mostra “uma percepção normal da estrutura básica da realidade” (Idem, o itálico é do autor), da parte de todos os homens. E esta estrutura é escalar, trata-se de diferentes planos ou níveis de realidade, do sensível ao divino (Realidade última). Tal metafísica é condição necessária da vida religiosa e da realização espiritual. “Tudo isto está muito bem” (parte 1, pág. 42), concorda o autor, que busca em seguida assinalar a dificuldade de que uma metafísica comum a várias tradições seja a perfeição de cada uma delas. Não é possível, já que a perfeição pertence à espécie não ao gênero. Para resolver a dificuldade, defende que:

     “(...) a Tradição Primordial é a base comum não só a todas as tradições espirituais, mas a todas as culturas e, no fim das contas, ao núcleo de inteligência sã presente em todos os seres humanos. Partindo dessa base, ou origem, as várias tradições se desenvolvem em direções diferentes, cada uma procurando refletir mais perfeitamente o Princípio absoluto e dar aos homens os meios de retornar a Ele. Nesse sentido, a culminação não é o Princípio em si, mas o sucesso que obtém na operação de retorno” (parte 1, pág. 43).

     A consequência é uma diferenciação de grau de sucesso entre as várias tradições, pois elas representarão diferentemente a Tradição Primordial. Mas todas remetem a ela, isto é “OK” para o autor.
     Na parte IV o autor volta a ocupar-se então da questão do esoterismo e exoterismo. Falou-se na distinção vertical exoterismo-esoterismo em cada tradição religiosa, Examina-se agora a possibilidade, em cada tradição, de filiar-se a alguma organização esotérica. Novamente, não há problemas para o islamismo. Também o hinduísmo, receptivo em relação a outras religiões, não oferece maiores problemas. Mas o autor percebe grandes dificuldades quando se trata do catolicismo. E aqui ele se opõe mais frontalmente ao projeto guenoniano. Primeiro, mostrando o beco sem saída que seria para um católico aderir à maçonaria, considerada por Guénon uma organização iniciática cristã: mas ela é excomungada, assinala com razão o autor.
     A partir dos anos 60, perenialistas sugeriram 3 saídas: conversão ao islam, à ortodoxia, e a terceira, considerada mais fácil e natural, entrada na tariqa multiconfessional de Schuon. Esta última alternativa correspondia ao projeto de Guénon.
     E na parte V o autor mostra as 3 respostas, reduzidas por ele a 2, que dá Guénon para o desenrolar da crise de degradação espiritual do Ocidente: “ou o mergulho na barbárie ou a sujeição ao islam, seja discreta ou ostensiva.” (parte 2, pág. 35).
     Esta aplicação forçada do binômio exoterismo-esoterismo, e o diagnóstico e soluções propostas para a crise da cristandade, leva o autor a discernir como objetivo central da obra de Guénon, a islamização do Ocidente. O desprezo pela política por parte de Guénon (que buscava a autoridade espiritual), e o impacto de sua obra sobre seus discípulos, dificultou ou mesmo impediu que o público discernisse essa intenção em Guénon. E o autor adverte contra esse projeto, mas reafirma o valor dos ensinamentos de Guénon, como que aprovando o diagnóstico da realidade, ainda que tendo reservas quanto ao remédio proposto.



2.      Críticaa sujeição ao islamegradação espiritual dl de S..
     Procuramos reproduzir com fidelidade o pensamento do autor, separando-o do pensamento dos seus mestres, sobretudo Guénon e Schuon, aos quais ele segue, mas também quer corrigir. O título do artigo, e sobretudo a segunda parte deste dá a impressão de alguém que quer escapar às “garras da esfinge”. Mas vemos no final do mesmo que a condição de escape é a decifração do enigma guenoniano, onde se separa aquilo que é útil do que é danoso. É danoso o projeto de islamização do Ocidente. Mas é proveitoso e fortalecedor, por exemplo, a tese da unidade transcendente das tradições religiosas, bem como esta “metafísica”  que nos eleva acima do sentimento religioso, sendo indistintamente condição de vida e realização para todas as tradições religiosas que, embora diferentes e atingindo um grau diferenciado de perfeição (opinião própria do autor que parece ir de encontro ao “ecumenismo” dos mestres), dependem todas de uma única tradição primordial, a cuja ligação devem sua própria existência e, adendo do autor do artigo, seu próprio grau de excelência.
     Mas todo esse edifício cai por terra quando nos damos conta de que não estamos, principalmente, diante de um enigma que se tenta decifrar. Enigma há, mas o que sobressai em todas essas descrições e raciocínios, é a sua radical oposição à verdade revelada pelo Deus Único e confiada à sua Igreja. Pois a doutrina de René Guénon não passa de uma perversão gnóstica do universalismo cristão (catolicismo, etimologicamente, significa universalismo), que devemos rejeitar em bloco sob pena de tornarmo-nos cúmplices da mesma perversão, e o artigo em questão o mostra.
     A fim de pôr à luz esta perversão, a melhor maneira é a de contrapor a doutrina perene da Igreja frente às elocubrações expostas. Da comparação se poderá inferir incompatibilidades suficientes para nos fazer rejeitar tais posições, sejam as mais radicais e tendenciosas de Guénon, sejam as mitigadas, mas também mais insinuantes, do autor do artigo. Concentraremos nossa atenção em dois temas principais: a chamada tradição primordial, considerada mãe de todas as tradições, e essa metafísica que faria o homem superar-se a si próprio.

     Tradição Primordial única?

     Toda a teoria perenialista repousa sobre a unicidade da tradição primordial. O autor, como citamos, a considera “(...) base comum não só a todas as tradições espirituais, mas a todas as culturas(...)”. Ora, a verdade é que houve, sim, uma tradição primordial única, mas esta se limitou à transmissão do Criador a nossos primeiros pais. Logo interveio aquilo que não pode ser ignorado por nenhum católico com um mínimo de conhecimento de sua fé: o pecado original.

     “Subitamente abriram-se-lhes os olhos e ambos perceberam que estavam nus; por isso entrelaçaram folhas de figueira e fizeram cinturões para si. Depois ouviram o ruído do Senhor Deus que passeava pelo jardim, à brisa do dia; então Adão e sua companheira esconderam-se da vista do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.” (Gen., III, 7-8).

     Nossos pais já não eram os mesmos, e a humanidade que sairia deles já não seria como o plano inicial do Bom Deus estabelecera. Pois fora rompido o laço sobrenatural que os unia a Deus. Despojados no sobrenatural e feridos no natural, como diz Santo Agostinho, impossível para eles e seus descendentes, em conjunto, ser integralmente fiéis à transmissão primordial, cujo autor traíram a confiança.
     Felizmente, a misericórdia de Deus se manifestou naquele momento, e o primeiro livro da Escritura, tão fundamental para o conhecimento de nossas origens, narra aquela promessa que ficou conhecida como Proto-Evangelho:

     “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta te esmagará a cabeça enquanto tu te lanças contra o seu calcanhar.” (Gen., III, 15).

     Eis a humanidade dividida mesmo antes que se expanda fisicamente. E é vontade do Criador, já que houve pecado. Toda a história humana será marcada por essa inimizade sem conciliação possível. O Adversário assassinara a vida sobrenatural do gênero humano, tendo antes enganado nossos pais com um falso ensinamento que era uma falsa promessa:

     “(...) Não, não morrereis. Antes, Deus sabe que quando dele comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e vos tornareis como Deus, conhecendo o bem e o mal.” (Gen., III, 4-5).”

     O homem cedeu à tentação, desobedecendo em vista de obter um conhecimento que Deus reservara a Si. E o Tentador continuará a transmitir seus falsos ensinamentos e promessas, e a congregar aqueles que se lhe vão aderir no correr dos séculos. Uma tradição se constituirá, ostentando quase a mesma antiguidade da verdadeira tradição e procurará superá-la continuamente, o que será em vão, mas poderá dar a impressão de que a superou em períodos críticos da história.
     Esta separação irreversível destrói a hipótese de uma tradição primordial forjadora de tradições religiosas particulares. Durante a história ver-se-á o embate entre 2 tradições, uma divina, homogênea, progressiva até a revelação do Verbo Encarnado, finalidade desta, e a outra humano-diabólica, que será heterogênea, parasita e, muito importante, tendendo ao sincretismo. A maior vitória para esta última seria o de integrar a verdadeira tradição no seu sistema, fazendo-a vassala de suas concepções e ideais.
     Já no mesmo livro do Gênesis, no capítulo seguinte, essa separação se nos revela de modo brutal no episódio do fratricídio de Abel: primeiro, se nos deparam dois cultos (já não há unicidade!), e o respectivo agrado e desagrado de Deus por um e outro. Já no começo a vontade de Deus é o critério, não a antiguidade, ambos os cultos aparecem ao mesmo tempo, mas só um deles é bom[1].
     Outro momento crítico da história onde essas 2 tradições se nos mostram contrárias é nos tempos do Dilúvio. Narra a Escritura que:

     “Deus olhou para a terra e viu que estava depravada, porque todo mortal corrompera sua conduta sobre a terra.”(Gen., VI, 12).

     Como resultado, Deus decretou a destruição quase completa da humanidade, como modo de sanar a corrupção dominadora. O patriarca Noé aparece como um representante quase isolado da verdadeira tradição no meio da corrupção universal. A humanidade é assim renovada e a tradição divina, salva.
     Outro episódio que merece nossa consideração é o da Torre de Babel. Foi mais um momento onde a falsa tradição humano-diabólica prevaleceu sobre a tradição divina, e com um agravante. Vejamos a Escritura:

     “(...) “Mãos à obra! Construamos uma cidade e uma torre cujo cimo chegue até ao céu, e nos faremos um monumento, para não nos dispersarmos sobre a face de toda a terra”. Desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens haviam construído; e disse “Eis! São todos um só povo e uma só língua, e esta é a primeira empresa que realizam; doravante não lhes será difícil fazer tudo o que lhes vier à mente. Vamos! Desçamos e confundamos ali sua língua; de sorte que não se entendam um ao outro” (Gen., XI, 4-7).

     Os homens estavam unidos, querem glorificar seu próprio nome e garantir sua união, e sua construção comum, fruto dos seus esforços, deve atingir o céu. Não se fala de Deus, trata-se de um empreendimento de uma humanidade associada, que confia em suas próprias forças para atingir algo de sublime.
     E Deus os dispersou. Porque? Era um momento crítico em que a tradição heterogênea não somente prevalecia sobre a divina, mas, e eis o agravante, tendia a se unificar, o que aumentaria consideravelmente suas forças e a tornaria ainda mais ameaçadora à tradição divina. A permissão divina para este terrível fenômeno estava reservada para os últimos tempos, quando o Anticristo arrematará seu poder unindo todas as suas forças contra a Igreja de Cristo.[2]
     Tendo sido novamente salva, a tradição divina recebeu, séculos depois uma nova e poderosa proteção quando Abraão foi chamado para ser princípio de um novo povo que, este, seria o povo de Deus no meio das nações idólatras. Estabelecia-se assim uma clara linha de demarcação entre a religião verdadeira e a multidão de religiões falsas, sendo a primeira constituída herdeira provisória da tradição divina, a qual deveria ali se fortalecer, em vista do futuro cumprimento das promessas messiânicas.
     A Encarnação do Verbo, sua vida, morte e ressurreição, e a fundação da Igreja Católica, marcam a plenitude da Revelação, clara e definitivamente demarcada da variada mas improfícua proliferação de religiões antes ou depois desta. Pois Nosso Senhor disse sem rodeios: “Aquele que não está comigo, está contra mim”. Note-se que a Igreja não é só depositária da Revelação, mas também, por seu Magistério tradicional, intérprete da mesma, o que inclui mesmo o poder, que de fato exerceu, de determinar o Canon das Escrituras, discernindo assim, mesmo no passado, o que é inspirado e isento de erros. De fato, nada lhe falta, sua realidade mais profunda é a de continuar Jesus Cristo na terra. Só a malícia dos seus membros que não correspondem à abundância de recursos sobrenaturais postos à sua disposição, bem como a raiva de seus inimigos, podem fazê-la parecer desfigurada, sobretudo numa época de apostasia como a nossa. Querer inserí-la numa espécie de competição com outras religiões, cujo critério de valor será o da conformidade com uma tradição primordial que lhe antecede e da qual ela depende, assim como todas as outras religiões, eis um acinte que deveria provocar a rejeição indignada de qualquer católico que conheça um pouco a dignidade e singularidade de sua religião, e da Tradição que ela guarda.


     “Metafísica” ou vida sobrenatural?


     A mesma tentativa de inserção redutora num conjunto mais amplo se observa com a noção de metafísica.
     Como dissemos, o autor afasta a possibilidade de tratar a metafísica como disciplina acadêmica. Não é o caso daquele que estuda essa parte principal da filosofia, chegando assim ao conhecimento racional da existência de Deus, de seus atributos, etc., e com isto desfruta de  certa satisfação natural pelo conhecimento alcançado. Não, aqui se trata de uma “estrutura da realidade universal" cuja percepção exige consciência ou pressentimento dos diferentes níveis de realidade, indo do sensível até à última Realidade, portanto ao divino. A isto a subjetividade humana deve perfeita submissão, como condição “da vida religiosa e, mais ainda, da realização espiritual” (parte 1, pág. 42).
     Em nenhum momento se fala de noções fundamentais como vida sobrenatural, graça santificante, pecado, etc.. Mas o único conhecimento que supera o obtido pela luz da razão é o que se obtêm pela Fé, virtude sobrenatural basilar “início, fundamento e raiz da justificação”, como diz o Concílio de Trento. E esta virtude recebemos com o batismo, que nos infunde a vida sobrenatural, a qual foi perdida por nossos primeiros pais.
     Novamente, a questão do pecado original é decisiva. Uma ruptura se produziu nos primórdios, e daí em diante todos estavam dependentes da promessa de um Redentor, que nos devolveria a graça santificante. E esta graça é uma participação da vida divina. É muito mais que um conhecimento, e não pode ser absolutamente conseguida por nosso esforço, nem mesmo pelo esforço de submissão de nossa subjetividade, já que é de uma outra ordem. Sua concessão inicial no Paraíso terrestre foi dom absolutamente gratuito. Sua reconquista no Calvário, obra igualmente gratuita, mas também de uma incompreensível misericórdia. Sem ela é impossível qualquer conhecimento que ultrapasse o conhecimento natural, mais ainda é impossível qualquer “realização espiritual” genuína.
     Se nos voltamos para o mestre de Olavo de Carvalho, quando ele fala dessa “metafísica”, sua descrição é altamente inquietante, mas também reveladora. Citemos, por exemplo, alguns trechos de sua conferência sobre a metafísica oriental, proferida em 1925 na Sorbonne. Diz ele entre outras coisas:


“(...)a metafísica pura, situando-se, por essência, acima e além de todas as formas e todas as contingências, não é nem oriental nem ocidental: é universal. Somente as formas exteriores — com as quais ela se reveste para atender às necessidades de exposição, para exprimir o quanto, nela, seja exprimível — somente tais formas é que podem ser orientais ou ocidentais; mas, sob a diversidade delas, é um fundo idêntico que se reencontra por toda a parte e sempre, ao menos, onde haja metafísica verdadeira, e isto pela simples razão de que a Verdade é uma e única.”

     “Tomaríamos, então, "metafísica" como sinônimo de "sobrenatural"? Aceitaríamos de bom grado tal assimilação, de vez que, enquanto não ultrapassamos a natureza, isto é, o mundo manifesto em toda a sua extensão (e não apenas o mundo sensível, que não é, dele, senão um elemento infinitesimal), estamos ainda no domínio da física; o que é metafísico, como dissemos, é aquilo que está além e acima da natureza, é portanto, propriamente o "sobrenatural".
     Mas, sem dúvida, farão aqui uma objeção: será possível ultrapassar assim a natureza? Não hesitaremos em responder de maneira bastante nítida: não somente isso é possível, mas isso é.”

     “Existe, aliás, com toda certeza, alguma coisa de incomunicável; ninguém pode atingir realmente um conhecimento qualquer senão através de um esforço estritamente pessoal, e tudo o que um outro pode fazer é mostrar-lhe a ocasião e os meios de lá chegar. Eis porque, na ordem puramente intelectual, seria vão pretender impor qualquer convicção; a melhor argumentação não poderia, no caso, substituir o conhecimento direto e efetivo.”

     “Agora: pode-se definir a metafísica, tal como a entendemos? Não, porque definir é sempre limitar, e aquilo de que se trata é, em si, verdadeiramente e absolutamente ilimitado, portanto não poderia deixar-se encerrar em nenhuma fórmula e em nenhum sistema.”

     Desnecessário acrescentar mais. O citado permite com sobras concluir que estamos diante da velha tentativa de alcançar o divino recusando a graça, ou ao menos subordinando-a ao próprio esforço de conhecer. Tal “conhecimento”, que é incomunicável, torna seu possessor um iniciado. É menos relevante discutir se para os católicos seria útil ou necessário a submissão à guia islâmica, ou se poderíamos encontrar nosso próprio caminho, inclusive nos valendo da “iniciação” sacramental, recusada por Guénon, mas aceita por Schuon. Qualquer conluio com esta gnose resultaria na perversão, não das outras religiões, cujo comércio com o além não seria essencialmente alterado, mas da Religião do Verbo que se fez carne “e habitou entre nós; e vimos a sua glória, glória própria do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo., I, 14).


     Conclusão

     Com habilidade, o articulista passa a impressão de tradicional, descritivo e mesmo reacionário à tentativa de subversão do cristianismo. Os que aderem às suas idéias sofrerão o influxo do falso tradicionalismo de Guénon, mesmo que “retificado” pelo discípulo que se tornou mestre. Ora, a principal correção diz respeito à repulsa da influência islâmica, parecendo voltar-se para as próprias reservas “tradicionais” do catolicismo (que teriam ligação com a suposta tradição primordial única). Assim, a tendência deles poderá ser a de realizar, através dos elementos católicos, interpretados à sua maneira, sua própria busca de “realização espiritual”. E como muitos deles percebem, com razão, a desordem reinante nos ambientes conciliares, poderão voltar-se para fontes mais puras, vale dizer, tenderão a parasitar nossos ambientes, servindo-se de nossas cerimônias e sacramentos. A possibilidade é real, se já não é triste realidade. Cabe a nós defender a verdadeira Religião expondo integralmente a sua doutrina e consequências, valendo-nos também dos estudos de quem já confrontou semelhante problema, descobrindo seu caráter e estratégias. Refiro-me a estudos como os de Epiphanius, J. Meinvielle. E. Couvert e Jean Vaquié, entre outros, nos quais em grande parte baseamos nosso estudo. Tais trabalhos devem ser conhecidos entre nossos fiéis, e sua leitura deveria ser obrigatória para alguns, sobretudo os que se destinam ao sacerdócio.

     “Sem a graça de Deus atuante e acolhida obediencialmente, não apenas nas almas fiéis que estarão em torno do altar até o fim do mundo, mas nas junturas e conexões sociais; sem a presença da Igreja acolhida, aceita; sem as marcas de Cristo-Rei na Cidade temporal, os homens não serão capazes de fazer “uma civilização” e não conseguirão traçar um contraponto, sequer medíocre, de seu tropel coletivo no mundo. Sim _ sem aqueles liames sobrenaturais _ os homens não conseguirão traçar uma história medianamente humana, uma história ao menos decente.  Ao contrário, conseguirão esse prodígio de mistura em que os mais belos atos humanos se entremeiam e se comprometem com uma organizada satanização.” (G. Corção, O Século do Nada, pág.316)

     “(...) digo que aquilo que os gentios sacrificam, sacrificam-no aos demônios e não a Deus. Ora eu não quero que vós tenhais comunhão com os demônios.” (I Cor., X, 20)


[1] - Abel oferece as primícias de seu rebanho, realizando uma imolação, o que era conveniente realizar depois do pecado, para tornar Deus propício. Enquanto que Caim simplesmente oferece uma parte de sua produção agrícola, os “frutos da terra”, o que mais denota simples ação de graças. A atitude revoltada e assassina deste último mostra que não se tratava de alguém disposto a se humilhar diante do Criador.
[2] - No já clássico Maçonnerie et Sectes Secrètes, de Epiphanius vemos, na pág. 418, um cartaz do Conselho Europeu, onde se lê “Europa: Muitas línguas, uma voz”, e na ilustração a construção moderna da Torre de Babel. Os mundialistas admitem assim serem os herdeiros atuais da falsa tradição que quer unir a humanidade contra o Criador.

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